QUAL A IMPORTÂNCIA DO EXAME DE AUDIÇÃO NAS CRIANÇAS?


Por Joice Sales

Sempre as mães me falam: não precisa fazer exame, não! Eu chamo e ele me escuta bem. Só não escuta quando não quer, quando está fazendo algo do seu interesse!!!
Será que é assim mesmo?


É preciso esclarecer alguns pontos:
- A sensação de ouvir é um sentimento individual: faço exames de audição há muitos anos e praticamente todo mês encontro uma pessoa que não escuta de um ouvido e achava que isso era normal! Ela se desenvolve bem, porque fala, sabe ler e escrever, tem uma profissão, mas não tem audição alguma de um ouvido e acha que isso é o normal, que todas as pessoas sentem o mesmo que ela!

- Nas crianças é muito comum o resfriado, a rinite, a sinusite, amidalites e em muitas isso ocorre constantemente. Recentemente ouvi de uma paciente que o filho tomou mais de 10x antibióticos durante 1 ano só para sinusite! Ou seja, um quando crônico!! Será que ele ouviu bem durante esse 1 ano?

- Nas crianças pequenas, entre 2 e 3 anos e que ainda não falam o esperado para a idade, devemos ficar atentos!! Sabe aquela história do surdo-mudo? Na verdade ele é só surdo, pois a fala depende da escuta. A fala e a audição são alimentados um pelo outro, assim quando a criança não escuta ela não desenvolverá a fala e isso também vale para os idosos quando perdem a audição, a fala que já fora adquirida durante a vida começa a se deteriorar e, fica cada vez mais difícil entender o que eles dizem. Por isso atenção!!!

Vocês se encaixaram em algum desses perfis? Se viram em alguma dessas situações? Aposto que sim, porque é muito comum. 

Então vamos as informações, digamos, técnicas:
O exame de audição avalia várias frequências, como grave e agudo e, cada conjunto de frequências é responsável por determinados sons. Logo eu posso ter uma perda de audição nas frequências agudas, mas escutar perfeitamente bem nas frequências graves. Isso já ajudará para ouvir sons e palavras e com certeza está criança terá um desenvolvimento diferente da criança que tem a perda de audição tanto nas frequências graves quanto agudas. Além do mais a perda auditiva existe em graus variados: leve, moderado, severo e profundo, logo a criança pode escutar em algumas intensidades e em outras não.
Há também tipos diferentes de perda de audição. Eu posso ter uma perda auditiva definitiva, que na maioria das vezes terá como tratamento um dispositivo eletrônico que faça a criança voltar a escutar e, também perdas auditivas transitórias que ocorrem devido a resfriados, por exemplo.

Essas foram algumas explicações de como avaliamos a função auditiva. Como vocês puderam ler existem muitas variáveis nesta avaliação, nesta sensação de ouvir e não podemos determinar se a criança escuta ou não apenas porque a chamamos e ela olha.

Conversem com o médico pediatra e fique atenta!

                                                   
                                                           💗
Joice Sales
CRFª 2-15359 SP
Fonoaudióloga e Consultora em Aleitamento Materno
Mãe do Vinicius e da Marina







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