Relato de parto






Quem não gosta de ouvir a história, a experiência do parto de outras mães? Eu adoro! 
Conversamos com algumas mulheres e vamos contar para vocês histórias inspiradoras de muito amor e carinho!!

Então vamos lá...


Por: Irene Araújo


"Quando engravidei pela terceira vez só tinha uma certeza: Nasceria de parto normal. Diferente das outras gestações que foram cesáreas sem qualquer indicação real, apenas pela minha ingenuidade. Mas eu já estava condenada a terceira cesárea, por causa de uma rotura uterina, que era certo para a maioria das pessoas, menos pra mim. Travei uma batalha com o mundo, meu marido tinha medo, alguns achavam que eu era louca, outros que eu era corajosa, menos a minha mãe, ela achava que eu deveria esperar e que se eu tivesse um bom acompanhamento médico nada de ruim poderia acontecer. 


Ela estava certa, mas o que eu não sabia era o quão difícil era encontrar um médico que topasse meu caso, e eu não estou falando do médico fofo, atencioso, o famoso Dr. Se… se estiver tudo bem, se não passar de 40 semanas, esses eu nem perdi meu tempo, estou falando de médicos humanizados, que só fazem cesáreas em ultimo caso mesmo.

Os dois que passei tinham o mesmo discurso, que achava bonito da minha parte esperar para tentar o parto normal mas como eu nunca havia entrado em trabalho de parto a chance era mínima, mas que acompanhariam o meu parto. Eu não senti segurança, porque eu não queria tentar um parto normal eu teria um parto normal, tentar eu tento ganhar na loteria e não poderia ser uma tentativa. 

Achei que o melhor caminho seria encontrar uma doula antes do médico, foi aí que tudo começou a andar, encontrei um anjo em forma de doula, chamada Mariana que me apoiou e me ajudou a chegar ao Dr. Paulo, e assim o time estava formado, rs! Esses dois embarcaram de cabeça no meu sonho, me falaram sobre muitas outras possibilidades para induzir o parto naturalmente, pois como tinha duas cesáreas anteriores eu não poderia induzir com medicações farmacológicas. Tudo estava perfeito, com 39 semanas perdi o tampão, com 40 semanas fiz uma sessão de acupuntura, tomava muito chá canela, evitava leite, não ficava mais descalça e mantinha o pé sempre quente, mas no fundo tinha medo de nadar, nadar e morrer na praia ou melhor na faca. 

Chorei algumas vezes pois sabia que o tempo estava passando. Para a minha alegria com 40 semanas e 3 dias, na exata data provável do parto, levantei de madrugada para ir ao banheiro e estava com uma cólica fraquinha, quando fiquei de pé a bolsa estourou, por volta das 5 da manhã, acordei meu marido e ligamos para o Paulo e pra Mari, meia hora depois as contrações ficaram fortes e o Paulo pediu pra eu ir para o hospital. 

Entrei no hospital e a Mari chegou 10 minutos depois, enquanto meu marido foi guardar o carro e entregar as pequenas para minha sogra, Mari e eu entramos na sala e a médica que me examinou falou que eu estava com 3 centímetros de dilatação e em trabalho de parto que iria providenciar minha internação para fazer a cesárea, a Mari interrompeu falando que eu não faria a cesárea, meu médico já estava a caminho para fazer o parto normal, nessa hora ela entendeu que a Mari era a doula, o bullying começou aí, porque ela começou a responder as nossas perguntas de forma ríspida e falou ironicamente: ‘’O médico vai arriscar fazer um parto normal nela? Eu não faria’’. 

Ela ligou pro Paulo que pediu pra me encaminhar pra sala de pré parto, ela não podia acreditar no que os ouvidos dela acabara de escutar, rsrsrsrsrsrsrsrsrs! 

Subimos pra sala, Paulo chegou pouco depois e nessa hora as contrações estavam ainda mais fortes, meu marido e a Mari ficaram segurando minha mão, fazendo massagens, me colocaram no chuveiro, na bola, mas a posição que eu me sentia mais confortável era semi deitada, por volta das 8 da manhã pedi pro Paulo ver se a dilatação havia aumentado e pra nossa surpresa eu já estava com 8 cm de dilatação, mas estava cansada e já não tinha mais forças para suportar as contrações que não cessavam, pedi pra ele um pouco de anelgesia, eles me anestesiaram o suficiente para alivio da dor sem que eu perdesse o movimento das pernas, mas a anestesia não aliviou as dores e cheguei na famosa hora da covardia

Mas o Paulo, a Mari e o meu marido ficaram do meu lado e me lembraram o quanto eu lutei por esse parto, o quanto eu havia me preparado para esse momento, o Paulo falou que se eu colocasse a mão iria sentir a cabeça do bebê, que era só eu fazer força e ele estava certo, nem sei de onde tirei , mas lembro de fazer umas quatro forças senti o bebê quase saindo, o Paulo perguntou se eu queria ajuda com fórceps e disse que sim, ele puxou o bebê e ele nasceu!

Um meninão de 4kg e 52 cm e sem episiotomia. Foi uma experiência incrível, pude sentir meu corpo e a magia que é parir, obstetra e doula só ali do meu lado, respeitando o meu tempo e o tempo do meu bebê, meu marido me dando forças, falando que eu ia conseguir, pra eu não desistir. 

E foi assim que eu vivi esse sonho, agradeço ao Paulo por toda segurança que me passou e respeito, a Mari por toda orientação e carinho e ao meu marido por respeitar a minha decisão e me dar todo apoio e amor que eu precisei."

Esse momento de puro amor, carinho e confiança na natureza (eu peço assim, porque passei por isso também) foram compartilhados pela mulher e mãe - Irene Araújo, fotografa. Ela tem 3 filhos e este parto mágico e tão sonhado foi do seu pequeno André.

Fiquem com essa experiência e guardem no coração! Caso queiram dividir momentos mágicos assim, venha contar pra gente...💗







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